terça-feira, abril 15, 2008
segunda-feira, abril 07, 2008
(Afinal) Viajar com Sentindo
À minha querida amiga Mónica,
Afinal estás certa.
Essas tuas viagens têm-te trazido hologramas do sentir que,
Sentindo, emitem ondas directas de amor e reflexos do passado.
A emoção de ver partir, para quem fica, vai
Com o desejo de um retorno abraçado
A uma vida muito feliz, a de Pai.
Sei que gostas, por isso, deixo-te também com a mensagem do Pessoa.
"Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos."
Excerto de "Afinal", de Álvaro de Campos
terça-feira, março 18, 2008
refresh!
Que bom que é ter uma blogmate com inspiração e gosto para lavar a cara deste pedaço internautico "só nosso" (das que escrevem e dos que por aqui passam)!
Acho que nos temos complementado em inspiração e dedicação ;-)
Ultimamente CT tens andado EM GRANDE com as tuas contribuições por aqui. O que eu gosto de partilhar contigo formas de comunicar!
ML
quarta-feira, março 12, 2008
“Mais vale ficar na ignorância!”
Não é uma frase minha, mas tendo em conta as minhas últimas experiências é aquela que mais faz sentido responder quando tentam aprofundar como foi que ultrapassei. Esta primeira fase já foi. Ponto. Correu tudo bem e a mãe e o pai estiveram unidos, como sempre.
Há, no entanto e a meu ver, episódios, pensamentos, factos que vale a pena serem partilhados com todo o detalhe. São aqueles que têm a ver com as surpresas. As boas surpresas.
Para quem como eu gosta de planear, prever, antecipar (talvez para reduzir os níveis de insegurança face à novidade), é um choque entrar numa “realidade” completamente nova, mesmo quando nos preparamos para encontrar o que nos arrepia, enerva, angustia, assusta e quem muitas vezes desprezamos ou descriminamos.
Falo das pessoas que vivem a mesma experiência que nós - sendo muitas vezes “a experiência” o único elo de identificação existente entre nós e elas – e da profissão de Enfermeiro.
A nossa integração não seria tão perfeita sem a preciosa ajuda da peixeira Dália, este seria um hospital público atípico se no nosso quarto não estivesse confortavelmente instalada uma família de ciganos, as noites não teriam sido “animadas” sem os insultos que a senhora do lado fazia à filha (menina de 20 meses, acabada de sair do bloco), eu não seria eu sem ter feito as repreensões do costume, o Martinho não teria tido as suas primeiras experiências de socialização com meninos de outras etnias e classes sociais, nunca teríamos sentido a preocupação e apoio constantes dos pais da Marta (que entraram cabisbaixos e amedrontados porque a filha ia fazer uma operação aos dentes com anestesia geral, mas rapidamente perceberam que as crianças do mesmo quarto não gozavam da mesma sorte), nunca teria ouvido pai e filho rezarem em uníssono pedindo a Deus protecção na cirurgia que o miúdo ia fazer ao pénis, as enfermeiras não me teriam confessado que tenho um marido exemplar, que raramente assistem a tal dedicação de um pai para com um filho, o Tiago nem tão cedo teria outra oportunidade de combater os seus medos de seringas, cateteres, drenos, punções, anestesias...
Surpresa boa foi encontrar equipas de enfermeiros-amigos. Não nossos, mas dos nossos filhos. Simpatia, dedicação, preocupação, atenção, partilha. Não houve um único dia em que tivesse ocorrido atraso na medicação, biberon, mudança do penso. Não houve uma campainha tocada e não atendida, fosse a que hora fosse. Tudo muito bem explicadinho sempre que as perguntas da mãe revelavam medo. Pensei tantas vezes que esta é uma profissão inglória – “dão” tanto que pouco sobra para eles próprios, como se as suas vidas servissem para fazer viver as dos outros.
Obrigada aos Enfermeiros: Hélder, Rita (estagiária), Ana Isabel, Catarina, “Sardenta”, Paula...
Desejos de rápidas melhoras aos meninos: Afonso, Renato, Julian, Raquel, Jessica, Marta, João, Pedro, Gonçalo, Santiago, Dudu, Mariana.
Obrigada aos nossos pais, irmãos e aos amigos Carla Caldeira, Inês Caprichoso, Michelle, Deborah, Mónica, Marina, Rodrigo, Tânia, Carolina, Sofia, Enfermeira Cristina Flores, Paulo Quintino, Nocas, Bruno Gonçalves, Hugo, Tia Mimi, Tio Raul, Tio João Bio, Tia Teresa e Romeu pelas reconfortantes visitas (espero não me ter esquecido de ninguém!). Obrigada a todos os outros pelas sms’s e telefonemas de apoio.
Um abracinho especial do Dunga aos cirurgiões Dr. Filipe Catela Mota, Dr. João Goulão, Dra. Fátima Alves e Dra. Dinorah. Um beijinho à Pediatra e Nefrologista Dra. Arlete Neto.
ct
quarta-feira, março 05, 2008
domingo, março 02, 2008
os dias em que acreditamos
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Juno

Estou a “bater a pestana”, mas vou aguentar-me para conseguir assistir à cerimónia dos The Oscars 2008. Estou sem dormir desde as 07:00 e antes dessa hora devo ter dormido umas 4 horas... escusado será dizer porquê!
Este foi mais um Domingo de cinema. Fui ver “Juno”, seduzida pelo argumento de Diablo Cody, aliás, seduzida por um argumento escrito por uma ex-stripper que se dedicou a esta arte tardiamente (se calhar não o suficiente para evitar levar uma estatueta dourada para casa!).
Sabia que “Juno” tinha várias nomeações, mas no íntimo arrisquei pensar que tal se devesse ao facto de ser mais um filme produzido com baixo orçamento, baseado numa história criada e enriquecida por uma excêntrica argumentista. Sensacionalismo hollywoodesco.
Nada disso. Vale mesmo todas as nomeações. Até parece mais uma produção europeia em vez de norte-americana. Não existem momentos baixos no filme. Os diálogos são hilariantes. A representação da Ellen Page fascinou-me. Gostava imenso de ver mais representações dela porque, sinceramente, não me lembro de ter tido um feeling tão forte em relação ao potencial artístico de uma promissora carreira em representação.
A cena dos calções! Rapazes a correr deixam “transparecer” a sua jovialidade na imaginação atrevida de uma teenager, no auge dos seus sweat little sixteen ;) a mim, ambos pensamento e imagem são completamente familiares!! Fez-me lembrar a cena das “cuecas de gola alta” no Diário de Bridget Jones (qual foi a mulher que nunca passou por algo semelhante??!).
Estou a torcer pelo “Juno”. Não vi a maior parte dos filme nomeados mas gostava que este ganhasse Melhor Actriz e Melhor Argumento Original. Vamos ver...
ct
sábado, fevereiro 23, 2008
Deixa-nos dormir!

Que eu já sabia que filho meu não poderia ter bom feitio, não é novidade. Já estava preparada!
Mas o que eu não esperava é que esta "amostra de gente" fosse tão enérgica e esfomeada que nem sequer iria conseguir dormir mais do que 5 horas seguidas!... Se fossem entre as 24:00 e as 05:00, ainda era como o outro. Mas não! Deixa-se dormir às 10:30 e acorda às 03:30. Daí para a frente acorda sempre de 3h em 3h...
Hoje eram 5h da manhã quando ecoaram os primeiros berros (sim, porque podia ter um acordar mansinho, bem-disposto). Tinha comido há menos de 2 horas, por isso não era fome. Nem era nada a não ser "não quero dormir mais, nem estar no berço por isso brinquem comigo!". Calhou ao pai entretê-lo. Acabaram os dois na sala, a dormir no sofá (entre as 05:00 e as 07:00 ninguém pregou olho). Eu acordei às 10:00. Vamos ver como vai ser hoje...
Segunda-feira faz 4 meses e vai à Pediatra. Espero sinceramente que ela nos dê uma solução para lidar com tanta energia e fome. Daqui a um mês regresso ao trabalho e nem quero imaginar como vai ser se estes ritmos se mantiverem.
ct
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Sweat Sweeney Todd
Imperdível, claro!
Longos meses de pausa na cinefilia bem compensados com um Sweeney Todd fortíssimo, num registo de musical incaracterístico de Tim Burton, mas igualmente "valioso" na projecção do imaginário quando comparado, por exemplo, com Charlie e a Fábrica de Chocolate.
Gostei bastante. Fui gostando em crescendo à medida que o filme ia desenvolvendo. Numa história pouco rica vi caracterizações e cenários fantásticos, numa Londres porca, escura (tantas vezes assim retratada por outros realizadores) de tonicidade gótica.
E depois é assim: ele canta. O Johnny Depp. Não há nada de bonito, excitante ou atraente na sua personagem, mas damos por nós a valorizar mais ainda o seu talento e capacidade de representação quando nos planos que a realização nos dá de Mr. Todd nos fixamos no seu sobrolho constantemente franzido de cena para cena, num ligeiro tique na boca que expressa exactamente o pensamento da personagem naquele momento e até quando acompanhamos o seu andar esguio, firme e obstinado.
Recomendo, muito embora tenha sido a única em 6 a adorar o filme e ter assistido a algumas pessoas abandonarem a sala a meio. É um musical, até arrisco dizer que se não fosse este o género não seria tão bom.
ct
