onde a única regra de trânsito é não haver regra
onde 65% da população tem menos de 30 anos
onde se acorda às 6 da manhã e às 22 já não aguentamos as pálpebras
onde as mulheres mascam ervas para ficarem com os dentes pretos e fogem do sol e da cor que este possa dar à pele como o diabo foge da cruz
onde 54 etnias convivem numa sociedade comunista unipartidária que não cobra irs mas também não paga nem saúde nem educação
onde os ovos com embriões quase a nascer não são a antevisão de um cenário bonito de nascimento ao quebrar a casca e sim uma iguaria nacional
onde as massagens têm direito a conversas desenfreadas entre as massajadoras de serviço
onde os edificios têm as fachadas de 2 metros, profundidade de 10 e andares elimitados dependendo da dimensão da família
onde o salário médio são 25 dólares (qualquer coisa como 400.000 dongs)
onde os cães, galinhas, porcos e gatos são todos animais domésticos e comestíveis
onde andar de bicicleta é uma actividade radical de grande adrenalina só conseguido ser ultrapassada com um atravessar de estrada em Hanoi
onde as mulheres andam com chapeus cónicos e os homens com capacetes vietcongs
onde no meio do nada ao apreciarmos uma paisagem de cortar a respiração conseguimos ouvir uma flauta que nos encanta e hipnotiza que nem serpentes que aplaudem de pé o artista que agradece com a continuação do concerto
onde as motas são o trasporte familiar, o transporte comercial, o transporte industrial, o transporte nacional, o transporte universal e onde LOTAÇÃO ESGOTADA não entra
onde o leite praticamente não existe e o único vestigio dele que se vê com alguma afluência é a irritante "vaca que ri" (finalmente percebi que não se ri em vão, e sim a gozar com a nossa cara)
onde a buzina serve de cumprimento, sinal de presença, distração nacional e banda sonora permanente
onde só se pode ter dois filhos por casal
onde a humidade nos cola a roupa ao corpo
onde não se usa capacetes, até porque senão como se ouviriam as buzinadelas?!?!
onde quem chega aos 30 sem ser casado só pode ser por um problema "de cabeça"
onde Ho Chi Min é o heroi e o pai da nação
onde o Viagra é o vinho de arroz, e que pelo sim pelo não é bebido pelos homens todas as noites (mulheres não podem)
onde a lua se consegue ver entre as nuvens iluminando as ilhotas da baia de Halong
onde se passeiam os pássaros e se pastam os patos
onde "you can't kiss on the street but you can piss"
onde os homens dançam como mulheres e as mulheres como serpentes
onde na praia a "Happy Hour" é uma constante ainda com a garantia de que "no good no pay"
onde o abecedário utilizado foi levado por portugueses
onde os sorrisos limpam a higiene e esbatem a miséria
onde a uma rejeição a esperança nunca é perdida "maybe later"
onde as crianças trocam Hellos aos nossos desajeitados xin chaos e retribuem com gargalhadas as fotos que lhes tiramos
onde o nevoeiro nos camufla o precipicio e salvaguarda os que sofrem de vertigens
onde se conseguem conhecer 13 bo dão nhas com quem se criam alguns elos de ligação
onde o difícil é encontrar a fotografia que ilustre isto tudo
onde EU FUI FELIZ
ML
quarta-feira, dezembro 13, 2006
A Conchichina
quarta-feira, novembro 22, 2006
Os 30
sem dúvida uma nova fase da vida, deixamos grande parte das adolescenciasices para trás e temos o peso da responsabilidade de "já termos 30". 30 implica muita coisa mesmo, nesta sociedade o "ter 30" (apesar de cada vez menos) ainda continua a ser sinónimo de uma série de obrigações que já deveriamos ter cumprido. Ter um emprego estável onde nos sintamos realizados, rodeado de uma vida de familia nuclear feliz e completa (sim, daquelas com marido e filhos, cães, mais 10 kilos e uma casa a pagar nos próximos 40 anos a perder de vista), termos uns pais que nos cobram tudo isso e que por causa disso, ou não, ajudam a que tudo isso se concretize além de termos toda a gente a olhar para nós como umas senhoras, a quem o sr do café já não diz "diga lá menina o que deseja" e sim, "diga minha senhora em que lhe posso ser útil".
Para mim não são isso, mas digo-vos que têm sido muito bons! Casa linda e finalmente MINHA (aqui não me escapei às leis da sociedade, não a 40 mas a 30 anos...); amigos verdadeiros à minha volta e a capacidade de relativizar as coisas menos boas de cada um, os meus sobrinhos emprestados (hoje mais uma para o role, e desta feita de uma das minhas melhores amigas, parabéns Yola e bem vinda ALice :-)); na véspera de fazer uma das viagens da vida; com os mesmos problemas familiares de sempre mas com uma interpretação e força diferentes; com um trabalho que não me realiza em pleno, mas há dias em que não anda longe (hoje não é um bom dia para falar disso, mas na volta tudo se resolve...); com o sr do café a perguntar-me "o que deseja menina); sem familia nuclear, nem marido, nem filhos, nem cão, nem 10 kilos a mais (nesta caso pelo contrário eheheeh). E cada vez mais próxima daquilo que se considera uma pessoa feliz que muitas vezes se sente uma privilegiada, mesmo que muitas vezes no meio do caos.
beijos e até ao meu regresso ainda mais zen e orientalizado (assim espero)
ML
terça-feira, novembro 14, 2006
será isto o tal "lar doce lar"
um mês passado e um dia passados do dia da mudança e o saldo é bastante positivo. Dou por mim sentada no sofá ali incrédula que esteja a viver uma realidade...Deixei de ser "nómada" e a questão é: saberei eu viver de outra forma?!?!?! A MINHA casa está linda, apetecível e de braços abertos para acolher. Acho que está quase a chegar ao ponto de estar "irresistível" :-)
ML
sexta-feira, novembro 10, 2006
Never eat breakfast alone!

Hoje o rock e a salsa estavam mais bonitos que nunca. Tomei o pequeno almoço nas calmas e só depois fui buscar a máquina. Colaboraram. Eles já sabem, é da praxe!
segunda-feira, outubro 30, 2006
quinta-feira, outubro 26, 2006
é virar o amor para dentro
"Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava.
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus."
ADEUS by Eugénio de Andrade
ML
quarta-feira, outubro 18, 2006
Lar Doce Lar
Sexta-Feira, 06 de Outubro de 2006
Festival Y#4 arranca hoje, na Covilhã “Presença, apegos e nostalgia” são os sentimentos que se pretendem mostrar através dos objectos. A peça tem 40 minutos de duração e está classificada para maiores de 16 anos. 
“Lar doce Lar” é um teatro de objectos que, hoje, sobe ao palco do Teatro das Beiras, na Covilhã. O espectáculo tem cerca de 40 minutos de duração e “é uma caixinha de música com todas as recordações tremulando cada vez que lhe damos corda”, descreve uma das autoras e também actriz, Jeannine Trévidic. Integrada no Festival Y#4 – que começa hoje e termina a 31 deste mês, organizado pela companhia Quarta Parede –, o espectáculo volta à sala covilhanense, no dia 8 e depois a 12, sempre às 21h30.
Segundo a sinopse escrita pela autora, “fomos à procura do que os objectos contam da nossa presença, do nosso apego, da nossa nostalgia. No fundo, são a prova dessa mesma verdade”, escreve. A performance está classificada para maiores de 16 anos. 
“Lar doce Lar” foi criada por Jeannine Trévidic e Sílvia Ferreira, sendo também as duas responsáveis pela interpretação do espectáculo. Bruno Cintra trata da direcção cénica e luzes, Delfsky da banda sonora, Rosa Fazendeiro é a responsável pelo guarda-roupa, enquanto Rui Cena e Celina Gonçalves encarregam-se da produção.
segunda-feira, outubro 16, 2006
sexta feira 13 (out 2006)
quem disse que era dia de azar!?!?
talvez um dos melhores dias da minha vida
a concretização de um sonho
o inicio de uma nova vida
bloco d2 6ºA!!!!!!!!!!!!!!!
ML
sexta-feira, outubro 13, 2006
Ocorrência!
Entrei no consultório e, depois de olhar para a minha ficha (previamente preenchida pela assistente), pergunta-me ela assim: - Então a Isabel, de que é que se queixa? Fiquei um momento na dúvida entre ficar aborrecida com as “confianças” ou ficar lisonjeada por ela me considerar da idade dela, ou seja, 10 anitos mais nova… Preferi optar pela segunda hipótese e contei-lhe o que se passava: uma fortíssima dor de dentes, que não me tinha deixado dormir. Mandou-me sentar e, assim que me apanhou de boca aberta, toca de martelar em todos os dentes para saber se me doía. Como teve pouca sorte e começou pelo lado errado, eu tive de a interromper a meio e dizer-lhe que a dor era no lado oposto. Olhou então na direcção certa e, depois de fazer um exame rigoroso, proferiu o diagnóstico, preciso, rigoroso e inabalável: “Trata-se aqui de uma ocorrência dentária.” Ah, pois é!!!! Quando se utiliza terminologia específica e a gíria adequada, tudo fica muito mais claro!
Depois de detectado e correctamente identificado o problema, avisou-me de que iria fazer um Raio-X para tentar perceber a origem da referida ocorrência dentária. E assim foi! Fez-se o Raio-X e, mais uma vez, o diagnóstico não tardou, objectivo e conciso: “Os dentes não têm nada. O que a Isabel tem é um episódio gengival.” Estava eu ainda de boca aberta (desta vez, de espanto!), esmagada pela infalibilidade do veredicto, e já ela sacava dos autocolantes cor-de-rosa e do bloco das receitas, onde começou então a medicar: “Vai fazer o Clavamox durante 8 dias, Brufen de 8 em 8 horas, Ben-u-Ron também de 8 em 8 horas, e o Clonix 2 vezes por dia, em SOS. Do Clonix é que não convém realmente passar das 2 vezes/dia, porque é muito forte.” Desmoralizei… Senti-me a pia de despejo dos remédios fora-de-prazo do hospital de Sta. Maria… Para fim de consulta, e porque já estava perfeitamente esclarecida quanto ao mal que me atormentava a boca, perguntei apenas qual era a causa da inflamação na gengiva, ao que a Sra. Doutora respondeu que o próximo passo, caso o abcesso não passasse com a avalanche de remédios que ela me prescreveu, seria a “desvitalização do dente, e até eventualmente a extracção”. Porque é que se vai arrancar um dente são? Isso já não perguntei, não fosse ela responder-me que “uma ocorrência dentária dá geralmente lugar à extracção de dentes sãos, haja ou não um episódio gengival associado”….
E pronto! Depois de pagar a bonita quantia de 37€, que me custaram mais a dar do que me teria custado a efectiva “extracção” do dente, lá me retirei do consultório e fui para casa.
Ficam então aqui os ensinamentos que retirei desta sessão de consultório:
1. Primeiro há a “ocorrência”, ou seja, a classificação do problema. Assim, se for uma dor num dente, a ocorrência é dentária; se for uma dor de barriga, é uma ocorrência gastro-intestinal; e se for falta de tusa, será uma ocorrência urológica.
Parece-me que, até aqui, não há dúvidas…
2. Dentro da ocorrência há então o “episódio”, ou seja, a origem ou causa do mal. Retomando os exemplos anteriores, a ocorrência dentária era devida a um episódio gengival, como a ocorrência gastro-intestinal poderá ser originada por um episódio gástrico, hepático, ou até anal/rectal; e como a ocorrência urológica poderá ser causa por um episódio testicular ou, talvez até, “penal” (de “pene”….)
Parece fácil, não? Então, e as sub-divisões?! Imaginemos que a dor de barriga se deve a gases no intestino. Não há dúvida que se trata de uma ocorrência gastro-intestinal, e que se trata de um incómodo causado por um episódio intestinal. Mas, e a parte dos gases, como é que se define? Eu chamar-lhe-ia um “apontamento”, neste caso “gasoso”. Ficava assim:
“O que o senhor apresenta é uma ocorrência gastro-intestinal, provocada por um episódio também ele intestinal, o qual é causado por um apontamento gasoso.” Eu, pessoalmente, acho que fica bonito, mas enfim, aceitam-se outras sugestões….
Não hão-de os médicos andar 6 anos na faculdade…!!!!
terça-feira, outubro 03, 2006
Há lá nada melhor!
Podem crer. Surreal. Eu ia morrendo, as minhas gargalhas quase me sufocaram! Afinal, não todos os dias que uma simples ida ao WC no trabalho acaba com um jacto de água projectado nas zonas sensíveis seguido de secagem… quis repetir, mas o mulherio já fazia fila para experimentar e achei por bem não privá-las mais desta experiência!
Giro, giro é que não havia nenhum elemento do outro sexo entusiasmado com a coisa. Não fiquei para ver, mas tenho a certeza que foram experimentando durante a tarde, minimizando a probabilidade de se cruzarem com uma colega mais atrevida que lhes perguntasse “Então? Foi bom? Sentiste-te limpo, aliviado, sequinho? Fez-te cócegas, impressão?”

