tanta coisa para fazer
tantos momentos para viver
tantas pessoas para conhecer
tantos livros para devorar,
tantas ondas para mergulhar
tantos sítios para descobrir
tantos filmes para encarnar
tantas luas para declamar
tantos amigos para reconhecer
tantas músicas para descontrolar
tantas novidades para aprender
tantas mãos para sentir
tantas nuvens para apalpar
tantos gostos para provar
tantos cheiros para memorizar
tantas vontades para saciar
tantos olhares para cruzar
tantos beijos para saborear
tantas roupas para rasgar
tantos folegos para arrebatar
tantos mares para cheirar
tantas palavras para gritar
tantas sensações para experimentar
tantos kilometros para deslizar
tantas estrelas para ofuscar
tantas lembranças para sorrir
tantos corações para descontrolar!!!!!
...
e tudo porque as coisas, os momentos, as pessoas, os livros, as ondas, os sítios, os filmes, as luas, os amigos, as músicas, as novidades, as mãos, as nuvens, os gostos, os cheiros, as vontades, os olhares, os beijos, as roupas, os folegos, os mares, as palavras, as sensações, os kilometros, as estrelas, as lembranças, os corações existem
...
tanta vida por sossegar
tantos vivas por dar ao dessassossego da vida
...
e tudo porque tu existes
e tudo porque eu existo
terça-feira, maio 30, 2006
O sossego dessassossegado
sexta-feira, maio 26, 2006
Velhas Práticas de Mkt - Teoria "INHO"

Já toda a gente reparou que faz parte da gíria da Restauração acabar sempre as palavras (sobretudo as que tenham a ver com comida…) em “inho”.
Ora, isto não se deve ao facto de os géneros alimentícios serem pequenos ou em pouca quantidade (normalmente, antes pelo contrário….). Este uso e abuso dos diminutivos tem a intenção de exprimir qualidade: acaba em “inho” o que é bom! A carne, só pelo facto de ser “carninha”, tem logo aspecto de ser tenra. O “peixinho” dá logo ar de ser fresco. A “cervejinha” vai necessariamente ser bem tirada. O “arrozinho” é solto, e as “batatinhas” são douradas! Ao ouvir a palavra “pãozinho”, qual reflexo de Pavlov, o cheiro a pão caseiro, quente e estaladiço, imediatamente abalroa as nossas pituitárias! Apetece comer, tudo parece ir cair bem!!!! A própria “continha” (quer que a traga?) promete ser suave e moderada….
E aqui vai um exemplo do que pode passar-se num restaurante onde uma família comum (2 adultos e 2 crianças) decide ir matar a fome:
Pai ou Mãe - Então, hoje o que é que tem?
“Garçon” (para lhe dar um ar chique de restaurante francês) - O prato do dia é carapauzinhos com arrozinho, que está uma especialidade! Mas se preferirem, tenho ali um peixinho fresquinho, acabadinho de chegar, que só grelhadinho, com umas batatinhas, fica de se lhe tirar o chapéu!
Pai ou Mãe - Então pode ser o peixe grelhado. E para as crianças, bife com batatas fritas, por favor.
“Garçon” - Então pr’ós meninos é só o bifinho com as batatinhas fritas?
Pai ou Mãe - É, sim.
“Garçon” - E para beber?
Pai ou Mãe - São duas cervejas e água para as crianças.
“Garçon” - (em voz baixa enquanto escreve) Duas cervejinhas e uma aguinha….É tudo?
Pai ou Mãe - É, sim.
“Garçon” - Muito bem, então trago já o pãozinho com as azeitonazinhas.
quarta-feira, maio 24, 2006
AS COISAS BOAS DA VIDA
Um dia recebi um mail com uma listagem das coisas boas da vida! vá-se lá saber porquê resolvi guarda-lo, e em dias menos bons dou por mim a lê-lo e a sorrir. Cá vai, uma listagem de 50 coisas boas da vida:
1. Apaixonar-se.
2. Rir tanto até que as faces doam.
3. Um chuveiro quente.
4. Um supermercado sem filas.
5. Um olhar especial.
6. Receber correio.
7. Conduzir numa estrada linda.
8. Ouvir a nossa música preferida no rádio.
9. Ficar na cama a ouvir a chuva cair lá fora.
10. Toalhas quentes acabadas de serem brunidas.
11. Encontrar a camisola que se quer em saldo a metade do preço.
12. Batido de chocolate (ou baunilha) (ou morango).
13. Uma chamada de longa distância.
14. Um banho de espuma.
15. Rir baixinho.
16. Uma boa conversa.
17. A praia.
18. Encontrar uma nota de 20 euros no casaco pendurado desde o último Inverno.
19. Rir-se de si mesmo.
20. Chamadas à meia noite que duram horas
21. Correr entre os jactos de água de um aspersor.
22. Rir por nenhuma razão especial.
23. Alguém que te diz que és o máximo.
24. Rir de uma anedota que vem à memória.
25. Amigos.
26. Ouvir acidentalmente alguém dizer bem de nós.
27. Acordar e verificar que ainda há algumas horas para continuar a dormir.
28. O primeiro beijo (ou mesmo o primeiro ou o primeiro com novo parceiro).
29. Fazer novos amigos ou passar o tempo com os velhos.
30. Brincar com um cachorrinho.
31. Haver alguém a mexer-te no cabelo.
32. Belos sonhos.
33. Chocolate quente.
34. Fazer-se à estrada com amigos.
35. Balancear-se num balancé.
36. Embrulhar presentes sob a árvore de Natal comendo chocolates e bebendo a bebida favorita. 37. Letras de canções na capa do CD para podermos cantá-las sem nos sentirmos estúpidos.
38. Ir a um bom concerto.
39. Trocar um olhar com um belo desconhecido.
40. Ganhar um jogo renhido.
41. Fazer bolachas de chocolate.
42. Receber de amigos biscoitos feitos em casa.
43. Passar tempo com amigos íntimos.
44. Ver o sorriso e ouvir as gargalhadas dos amigos.
45. Andar de mão dada com quem gostamos.
46. Encontrar por acaso um velho amigo e ver que algumas coisas (boas ou más) nunca mudam.
47. Patinar sem cair.
48. Observar o contentamento de alguém que está a abrir um presente que lhe ofereceste.
49. Ver o nascer do sol.
50. Levantar-se da cama todas as manhãs e agradecer outro belo dia.
Eu acrescentaria ainda muitas outras coisas... ficam aqui algumas
51. Um serão com uma boa companhia à lareira
52. Apanhar sol deitada na relva
53. Um passeio à beira mar numa noite de lua cheia
54. Os sorrisos que as lembranças nos trazem
55. Um momento que uma foto pode eternizar
56. Receber os amigos em casa e cozinhar para eles
57. Ler um bom livro com o sol a bater-nos na cara
58. Andar, andar, andar até nos cansarmos
59. Ver uma chuva de estrelas cadentes
60. Boiar no mar e deixar-nos ir à deriva
.....
Espero por outras vossas!
Chegaremos às 100!?!?!?
terça-feira, maio 23, 2006
Palmiers Recheados e outras manias
Todos nós temos rotinas. Vícios. Excitações caracterizadas por ideias fixas.
Não há cultura que faça a diferença. Mas, no melting pot do meu habitat diário – aculturado por alemães, holandeses, brasileiros, ucranianos, peruanos, polacos, belgas, ingleses, sul-africanos e afins com quem trabalhamos – distingue-nos o palmier recheado. É que eu e a minha malta somos adeptos do dito. Os cafés circundantes até já têm stock suficiente para “alimentar” o capricho. O que eles não sabem é que eu já sofria da rotina do palmier, Sábados ao pequeno-almoço! Este convívio só me agravou a mania.
Mas tenho várias outras manias (algumas nem devo ter reparado que tenho). Adoro ver fotografias e sinto que por vezes sou bastante chata, pressiono até estar saciada de fotos. Outra, odeio deixar as coisas para depois. Se decido que tenho de fazer qualquer coisa, fico obsessiva até conseguir acabá-la. E-mails: é a loucura! Tenho uma ordem sequencial de ver as minhas várias caixas de e-mail. E repito isto várias vezes por dia. Baton hidratante. Esta foi uma mania que me pegaram. Ponho e depois esfrego com a ponta do dedo indicador até ficar devidamente espalhado. Também sou viciada em inventar palavras novas: do meu dicionário fazem parte berris, cunhambanos, jabiraca, barrigus, baluks, sili, maluquete, merricanos farrabados, etc… e muitas palavras acabadas em “is”.
Das voltas que dei a ler outros blogs percebi que existe quase sempre um post sobre manias. Por isso, já chega das minhas. Quero saber as vossas. Chutem!
segunda-feira, maio 22, 2006
"Vê lá se não te entalo"
é bom termos amigas assim!!!!!!!
com as quais sabemos que podemos contar sempre
que nos entendem como pouca gente
que se preocupam connosco
que nos fazem rir, muito
e nas quais podemos confiar de forma a saber que mesmo que "entaladas" nunca seria de forma a nos deixar mal
OBRIGADA AMIGA
a foto diz tudo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!(ou mais que isso)

sexta-feira, maio 19, 2006
Miopia e Pó d'Arroz
Como todo e qualquer evento que se preze, a operação garantiu que lá estavam os intervenientes necessários a uma cobertura bem sucedida do evento. É interessante. Tive crises de miopia o tempo todo, mesmo sendo a festa de um vinho cor-de-rosa pareceu-me que lá estavam muitos mais cor-de-rosa do que dos outros. Mas é mesmo assim, todos são “especializados” em tudo, nem sei como é que ainda existe essa distinção. Também não percebi quem afinal eram os ditos VIP’s, os que conhecemos, os promotores do evento ou os que falam deles…
Não sendo adepta deste tipo de eventos, nem pertencendo à classe dos “bico de pés”, é com frequência que acabo no meio destes filmes. Quem me conhece sabe que é só rir! Delicio-me com flashes de ridículo nestes encontros.
Ensinaram-me que são vitais para o sucesso das operações. Falo dos “bico de pés” e dos “especializados”. Assim como também me ensinaram que para que cumpram o dever é preciso que sejam muito bem “alimentados”. Ambos. E depois é muito interessante porque se conhecem muito bem, ó não estivessem sempre presentes nas mesmas ocasiões. Especializadas essas também.
A “maquilhagem” era tanta, tanta que às tantas percebi que não há diferenças entre eles. À medida que iam chegando, vidravam uns nos outros, melavam mesmo. Eles eram as estrelas, o colorido chic e choc. Queriam lá saber se o protagonismo era d’outros. Afinal, já não se viam desde há 2 dias, na festa “da outra”.
Tou mortinha por ver o resultado nas bancas. Aposto que o pó d’arroz dos “especializados” disfarçou bem todos os “oops, o que é que eu estou mesmo a beber?!”.
quinta-feira, maio 18, 2006
Dente de Leão
... é um momento tão único e desejado que quase sufoca de tanto preenchimento. Nada de mau existe e até a chuva que se adivinha ajuda a aumentar essa felicidade...
A flor desfaz-se com o vento, os nossos olhos cruzam-se e choram de saber que o exagero do momento, acabou com ele pelo simples facto de nunca mais se poder voltar a repetir.
Resta o caule...
Quanto à bolinha branca e perfeita, essa voou! Voou para semear por onde passar outros momentos e outras pessoas que ficarão marcadas para sempre....
quarta-feira, maio 17, 2006
Espírito PANTONE

Hoje comecei o dia com aqueles dramas das roupas e achei que podia ser um tema interessante de partilhar.
A filosofia chinesa do Feng Shui acredita que as cores devem ser escolhidas intuitivamente e que a sua aplicação faz com que nos sintamos mais relaxados, estimulados, deprimidos ou alegres. Existem uma série de estudos que comprovam a importância das cores no nosso estado de espírito. E cada vez mais são os especialistas que defendem que as cores emitem vibrações influenciando o nosso físico, espírito e plano emocional.
No meu caso, para além da necessidade básica de me “tapar”, visto-me para mim. Revejo-me nas cores e formas e crio um imaginário à volta do que visto, tentando variar o mais possível. Já me disseram várias vezes que não repito toilettes, que sou capaz de ter vários estilos e que sou inventiva. E realmente, pensando bem, sou mesmo assim. Não tenho um grande e bom guarda-roupa, mas “trabalho” para a minha individualidade e unicidade. E nada disto significa que o meu estado de espírito varia assim tanto…
Hoje de manhã, por exemplo, fiquei em brasa porque não encontrava nada que me apetecesse vestir. Depois lá me decidi. E quando comecei a pensar no dilema, tentei interpretá-lo e questionei se haveria no meu estado de espírito algum tipo de apatia, desinteresse, insegurança ou dúvida. Acho que não! Havia era pouca roupa nova para vestir! Logo depreendi: desejo de renovação! Só pode ser isto!
Mas isto sou eu. Há quem se vista para as imposições de regras laborais ou por necessidade de afirmação de classe social. Numa perspectiva de Feng Shui, as primeiras devem ter dias terrivelmente infelizes e as segundas devem viver (aparentemente) radiantes. Numa perspectiva de Marketing (aplicado à comunicação de marcas de têxteis e acessórios), as primeiras são preteridas pelas segundas, que são muito apetecíveis devido à vulnerabilidade que as caracteriza. Talvez a única coisa que tenham em comum seja o sentimento de pertença, não a elas próprias, mas às formas e cores que representam: as primeiras vestem “a camisola da empresa”, as segundas vestem os valores das marcas que idolatram.
E os homens? Será que têm estes dramas da escolha da roupa, das cores? Um estudo da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos concluiu que um grande número de mulheres vê mais cor do que os homens, devido a uma transformação no gene envolvido na percepção da cor vermelha nas células da retina. Isto significa que a capacidade de experimentarem estados de espírito também é inferior à das mulheres?
Depois, há os metrosexuais! Sofisticados, capazes de vestir roupa diferente do tradicional corte masculino, de conjugar cores, de ter uma casa bem decorada, cuidam corpo, da saúde e alimentação, tratam das mãos e do cabelo. São até capazes de acompanhar uma mulher às compras e dar belíssimas opiniões. O “cheiro a cavalo” está obsoleto! E como estão sempre bem apresentados, devem ser pessoas felizes e com “alto astral”.
Digo eu… gostava de saber a vossa opinião.
terça-feira, maio 16, 2006
As viagens das nossas vidas

as que fazemos diariamente em sonhos
as que nos fazem perceber que existem muitos mundos muito diferentes do nosso
as que nos fazem acreditar noutras vidas, tal é a sensação de já lá termos estado antes
as que nos ensinam mais que alguns professores que tivemos
as que nos provocam saudades antes ainda de embarcar
as que começam meses antes de partir e que ficam por anos
as que sempre anseámos fazer
as que nos inspiram os dias de trabalho
as que mudam as nossas vidas
a ressaca que fica quando ficamos!!!!!
segunda-feira, maio 15, 2006
18Km LÁ MUITO EM CIMA
Às 08h30 estávamos prontas a percorrer aquele que é um dos mais completos e enigmáticos caminhos antigos de Portugal.
Saímos da Quinta da Marinha, rumo ao céu, com uma pequena passagem pelos MVNDVS INTERNUVS (infernos), nos quais as virgens negras e os rituais da fertilidade assumem especial importância. Próxima paragem? O espaço iniciático de Porto Covo, onde visitamos as capelas encobertas do V Império (Espírito-Santo) e a Capela Branca de Nossa Senhora da Conceição de Porto Covo (Fertilidade Uterina).
Sempre com o cume da Serra e a face lunar feminina sintrense no horizonte, a patriarcal cascalense como pano de fundo, foi no Tholos do Monge que parámos esfomeadas para “festa da alimentação”. Aqui, local onde monges vestidos de negro, simbolizando a iniciação nos sub-mundos, se entregavam em prol do destino da humanidade… sabe-se lá como!
Acabámos a conhecer as penhas sacralizadas pelo virtuosismo monástico, conhecemos a outra face de uma Nossa Senhora da Peninha situada próximo do céu, mas com uma tez negra. Fiquei com a ideia que era a guardiã de um muito antigo (e fictício?) cemitério de crianças.
A experiência recomenda-se.
Texto adaptado de “Da Terra ao Céu, com passagem pelo Inferno”, de João Aníbal Henriques

