sexta-feira, abril 21, 2006

À espera


Ficamos sempre à espera de alguém ou de qualquer coisa. À espera porque se atrasam, mas chegámos antes. À espera da altura certa para resolver, dizer, desistir. Mas pensámos antes. É a palavra que não sai, a coragem que não vem. Mas quisémos tanto... À espera que o outro diga, faça, pense. Mas já temos as respostas. Esperamos para acordar, para sair e para voltar. Mas insistimos na rotina. E enquanto esperamos não percebemos que também estamos À ESPERA para viver.

ct

9 comentários:

Mónica disse...

"como à espera do comboio na paragem do autocarro" (S. godinho)

Duarte disse...

Bom post!
E fez-me lembrar as palavras que num dia de reflexão interior li de uma amiga, que ela também o ouviu ou leu, noutro lado, mas a comunicação é isso mesmo, um "passa palavra". Ela enviou-me algo do género:

"Muitas vezes temos a convicção do não , "não é", "não quero", "não faço", não vi" extrapolada para o nunca "nunca mais", "nunca fui", nunca estive" além da incerteza do talvez e a desilusão do quase. Isto mata-nos trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem
quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Quero mais, quero o mundo quero mais.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença.

Sobra cobardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser
mudadas resta-nos somente paciência. Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer."

Palavras sábias não sei de quem, mas sábia foi ela em ter-me dito "espero que este texto te ajude"

tuBo em cima disse...

quero acreditar que fazemos parte dos que arriscam... e dos que apoiam os amigos que arriscam! obrigada duarte pelo belissimo post!

Mónica disse...

Resta-me apenas citar o gde Mário de Sá Carneiro

Quase
"Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que,desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém... "
mais vale irmos tentando os "quase" desta vida de os nadas.... pode ser que um dia o golpe de asa apareça ;-)

joana disse...

Ao ler simples comentários apercebemo-nos que temos amigos muito especias. Podemos estar meses sem falar-nos, sem ouvir-nos, sem ver-nos mas quando ouvimos pequenas palavras vindas de eles, apercebemo-nos que eles estiveram sempre presentes e como são tão especiais.

Parabéns pelo v/ blog, adorei, deu para sentir ainda mais saudades desses amigos especiais.

bjs

Joana

tuBo em cima disse...

é como diz o duarte citando Vinicius de Moraes "a gente não faz amigos, reconhece-os"
ML

quemserá disse...

Ainda estou à espera de perceber este blog. Espero não demorar muito mais tempo senão desespero.

tuBo em cima disse...

é assim tão dificil!?!?!?!!? quem será????

christine disse...

é ele... para cativá-lo tinhamos de falar sobre religião, tabaco... coisas polémicas e pragmáticas! hehehe